luto
pelas borboletas mortas em meu estômago.
Elisa L.
“Eu sei que você tem medo de não dar certo. Acha que o passado vai estar sempre perto e que um dia eu vou me arrepender. E eu quero que você não pense em nada triste, porque quando o amor existe, o que não existe é tempo pra sofrer.”— Los Hermanos.
eu tentei te deletar
primeiro apagando suas fotos
depois o seu número de telefone
junto com todas as conversas
bobas, românticas, despretensiosas
desesperadas
que um dia tivemos.
troquei os caminhos
desviei dos lugares onde um dia nossas almas se uniram
e sentiram uma felicidade que a gente experimentava pela primeira vez.
esqueci de muitos dos amigos
que só conseguiam perguntar sobre você
e, com o desespero por detalhes e explicações
me faziam sofrer mais.
fiz de tudo pra não lembrar do gosto da sua boca
do macio dos seus olhos
do conforto do seu toque
gentil e paciente
mas sempre quente.
criei novos hábitos, me desfiz de memórias que me destruíam
e criei outras.
eu quis fugir de você pra me achar em mim
mas, depois de muito tempo, entendi
que não possui construir um futuro
renegando o que fomos
muito menos o que sou
desde que você deixou suas marcas por aqui.
eu aceito e agradeço pela sua presença
e confesso que, de alguma forma, você é parte de mim
e você me iluminou como se mil estrelas dançassem pelo meu estômago
e ainda sinto toda essa luz.
mas agora, me dê licença
é sozinha que preciso aprender a brilhar
agora e sempre.